Dahab: o melhor lugar do Egito

Quando se fala em Egito, a primeira coisa que vem a mente são as imponentes pirâmides, correto?

Está aí, vou te contar uma novidade… O Egito é um país que tem muito mais a oferecer do que seus magníficos templos, múmias e todas essas coisas ligadas a sua antiga civilização. Pouca gente sabe, mas há lugares incríveis espalhados pela costa do mar mediterrâneo e do mar vermelho. E foi na pequena e tranquila cidade de Dahab, no sudeste da península do Sinai, que descobri um lado diferente do Egito, pelo qual me apaixonei.

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Dahab, está a 85 km ao norte da cidade de Sharm El-Sheik e bem distante da capital, Cairo, cerca de 550 km. Antigamente, era uma aldeia costeira isolada e habitada apenas pelos beduínos (tradicionais povos nômades do Norte da África e do Oriente Médio). Porém, após a década de 80, o local começou a ser frequentado por hippies e mochileiros que iam para lá desbravar suas maravilhas naturais.

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Hoje, além dos mochileiros e demais viajantes, Dahab também atrai os amantes de esportes outdoor, uma vez que sua privilegiada localização geográfica propicia a prática de vários destes esportes. De um lado está uma região bem montanhosa, onde é possível fazer trekking e escalada. Já do outro, o cristalino mar vermelho, que além atrair os amantes do mergulho, com seus bons ventos, se torna uma ótima pedida para os praticantes de windsurfe, kitesurfe e vela.

A relaxante atmosfera de Dahab [que em nada lembra as tradicionais regras e rígidos costumes do resto do Egito] faz você se sentir descontraído e revigorado. Ao longo de sua rua principal, destinada apenas aos pedestres, estão espalhados vários agradáveis e estilosos restaurantes e cafés que ficam de frente para a praia. Ah, há também uma grande variedade de lojas com artefatos egípcios e beduínos, num precinho bem camarada.

Sobre os destinos turísticos, nos arredores de Dahab não faltam opções…

Esculpido gradualmente pela ação das correntes em um recife, o Blue Hole é o mais famoso e temido ponto de mergulho do Egito. Este, por sua profundidade e nível de dificuldade, atrai muitos mergulhadores que procuram desafios. O local chegou a ser apelidado como “Diver’s Cemetery” pela quantidade de mortes que já ocorrem lá. A parte mais profunda chega a 52 metros, dá para imaginar?!

Mas é claro que, mesmo para aqueles que não forem se arriscar tentando atravessar este túnel sinistro, não vai faltar diversão para admirar a rica fauna e flora subaquática.

Próximo ao Blue Hole estão dois paraísos escondidos um ao lado do outro, Ras Abu Galum e Blue Lagoon, que fazem parte de uma Reserva Natural Nacional que preserva sua riquíssima natureza e uma autêntica vila de beduínos. Lá é possível passar um dia inesquecível relaxando e admirando o fascinante azul do mar vermelho. E para quem quiser estender um pouco mais, é possível passar a noite acampando sob um céu estrelado ou alugando umas das super estilosas cabanas dos beduínos.

Para curtir um perfeito fim de tarde, nada melhor que ir para a Lagoona Beach. Um lugar bem agradável e familiar, aonde muitas pessoas vão para fazer picnic, jantar ou apenas tomar um vinho contemplando um belíssimo pôr do sol. Eu tive o grande prazer e sorte de curtir esse momento na companhia de uma linda família que gentilmente me recebeu pelo Couchsurfing.

Definitivamente vale a pena visitar Dahab… é um lugar que vai te apaixonar!

 

Marsa Alam: praias paradisíacas e um azul hipnotizante

Ainda falando sobre o incrível azul do Mar Vermelho, ao deixar Hurghada (onde tive uma incrível experiência de mergulho) e seguir mais uns 280 km ao sul, cheguei à esperada cidade de Marsa Alam.

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Um dos pontos turísticos mais fascinantes do Egito, Marsa Alam é uma pacata cidadezinha cercada de um lado pela imensidão do deserto e pelo outro por uma sucessão de praias paradisíacas de águas cristalinas e recifes de coral. Tais atributos naturais fazem deste local uma preciosidade aos olhos de mergulhadores, que vêm de todo o mundo para explorar suas maravilhas subaquáticas e deslumbrantes paisagens.

Nesta região é comum assistir ao gracioso nado de golfinhos, tartarugas e até mesmo de peixes-boi.

Peixe-Boi by Andrea Izzottiby Andrea Izzotti

Saindo do centrinho da cidade, que já é bem servido por uma série de belas praias, segui inicialmente para o sul, onde se localiza o Parque Nacional Wadi El Gemal, uma das áreas naturais mais bem protegidas do Egito. Dentro deste parque, que fica a cerca de 60 km da cidade, estão as intocadas e tranquilas praias de Sharma El Lulli e Hankorab.

A paisagem de Sharma El Lulli chama atenção por suas areias levemente amareladas que levam a uma espécie de lagoa de aguas rasas e cristalinas, tendo ao fundo a evidente e solitária árvore, que virou cartão postal do lugar. Lá não se vê multidão ou qualquer coisa parecida. Pelo contrário, tudo ao redor remete a paz! Um lugar intacto que espero que permaneça assim por muitos e muitos anos.

Hankorab, parece até que saiu direto de uma capa de revista de viagem. Dá para se perder em meio aos diferentes tons azul. E para ficar ainda mais perfeito, um extenso recife repleto de cores e peixes.

Seguindo na direção oposta, ao Norte de Marsa Alam, há mais ou menos 40 km, está a praia mais badalada da região, se posso assim dizer [já que não é lá tão badalada, se considerarmos o padrão brasileiro]. Em Abu Dabab as tartarugas de cor esverdeada estão por toda parte, eu mesma [que nem fiquei tanto tempo dentro da água] vi quatro e tive o prazer de nadar com uma delas. Para quem der sorte, tem também o peixe-boi, espécie ameaçada de extinção.

Abu Dabab é feita para pessoas que curtem mesmo a água… a praia é toda equipada para os amantes do mergulho, kitesurf, windsurf e snorkeling.

Em um lugar tão deslumbrante, dá para ficar perdido no tempo e no espaço!

Mar Vermelho: meu primeiro mergulho com cilindro

De repente tudo fica em silêncio. Só é possível escutar o som da sua respiração através do respirador e sentir as bolinhas de ar subindo pelo seu rosto. O mundo aqui é bem diferente, um lugar onde o ser humano não tem domínio de nada. Um lugar onde só nos cabe admirar, respeitar e agradecer por tanta beleza e magia.

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Nos últimos anos tive algumas oportunidades de fazer mergulho com cilindro (scuba diving), mas o medo sempre estava lá, me impedindo de explorar esse mundo novo e misterioso.

Depois de perder várias dessas oportunidades de imergir em mares incríveis, como os do Panamá, África do Sul, Galápagos, Arraial do Cabo, etc., decidi que estava na hora de superar mais esse desafio em minha vida. E aí, nada melhor que começar com o pé direito mergulhando em um dos melhores lugares do mundo para essa prática, o Mar Vermelho, que ostenta águas de um intenso azul turquesa e uma das maiores diversidades subaquáticas do globo terrestre.

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A cidade escolhida para fazer o mergulho foi Hurghada, com praias de uma coloração simplesmente incrível, ilhas paradisíacas e, para ficar ainda mais perfeito, águas de temperatura amena.

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O dia começou cedinho, fui com meu instrutor (Mahmoud) até a agência de mergulho. De lá, após algumas instruções de segurança e utilização do equipamento, seguimos para o barco, que nos levou até um grande recife de corais conhecido como Abu Ramadã, próxima à maior e famosa Ilha Giftoun.

O tempo estava maravilhoso, sem vento, temperatura agradável e com uma ótima visibilidade subaquática.

Mar de Hurghada - Barco

Por dentro de mim, um mix de receio, ansiedade e excitação fez com que eu ficasse em um estado meio difícil de descrever. Quem já mergulhou sabe do que estou falando, e quem ainda não, um dia saberá.

Ao entrar nesse novo mundo, tive que primeiramente me acalmar e me acostumar com o respirador, é claro. Afinal, essa era a única forma de obter oxigênio embaixo d’água.

No começo, confesso que não foi nada fácil. Mesmo indo bem, para uma primeira vez, e conseguindo descer alguns metros, eis que surge um dos problemas mais comuns: máscara com água. Mas tudo bem, pois como havia prometido, Mahmoud estava o tempo todo ali do meu lado. Ele até tinha me ensinado anteriormente como fazia para retirar a água nessas situações, mas me embananei e não consegui resolver nada. Pedi para subir duas vezes por causa disso.

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Aos pouquinhos fui ficando mais confiante e me acostumando com as coisas. E depois de um break consegui finalmente curtir a experiência a fundo. E aí foi incrível! Fiquei admirada com tanta beleza. Dava para se perder em meio de tantas cores e formas…

Fui recebida pelo peixe leão… a arraia azul também estava lá nos corais!

Cheguei a 15 metros de profundidade, desfrutei cada segundo. Estava indo tão bem que o Mahmoud até me deixou um pouquinho livre, pois já estava me sentindo mais segura. Dai só foi curtição!

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Nenhum outro ambiente traz tamanha sensação de leveza e desligamento do mundo,  ao não ser se você for para outro planeta. Rsrs

Saí da água comemorando e agradecendo muito por essa experiência. O sorriso no meu rosto era bem nítido. E para finalizar o passeio, já no barco, fomos agraciados com o show de um cardume de golfinhos. Dá para imaginar?

Tem momentos na vida que a gente não pode esquecer, e toda vez que fecho meus olhos lembro do que eu vi nesse oceano.

Gratidão!

Las Grietas: um paraíso azul em Galápagos

Pense num lugar de águas cristalinas de um azul turquesa hipnotizante, há peixes nadando ao seu redor como em um valsa da mãe natureza, você mergulha fundo e quando retorna lentamente à superfície a única coisa que tem a sua frente é um quadro do céu emoldurado por rochas que parecem ter sido esculpidas à mão. Do que estou falando? De uma praia? De uma caverna?

Este lugar mágico, e difícil de descrever para quem ainda não teve o prazer de sentir essas águas envolvendo seu corpo, é chamado de Las Grietas, e fica na Ilha de Santa Cruz em Galápagos.

Estas curiosas formações são uma espécie de mini cânions que forram inundados por água salobra por meio de micro canais que os ligam ao mar.

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Além de curtir um relaxante mergulho e dar umas braçadas nesta piscina olímpica de desenhada por algum mestre do design, a principal atração para aqueles, como eu, que gostam de adicionar uma pitada de adrenalina é se jogar dos enormes paredões rochosos que possibilitam saltos de todos os níveis imagináveis (de 1 a mais de 10 metros de altura).

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Dicas

Para chegar até lá é bem simples… Saindo do cais de Puerto Ayora, pegue um taxi boat que em poucos minutos (menos de 1 dólar/pessoa) te levará ao outro lado da enseada. De lá é só seguir, por cerca de 20 minutos, o caminho que passa pela Praia dos Alemães e vai até Las Grietas.

Outra dica valiosíssima é o horário da visita. Tente chegar lá um pouco antes do meio dia, pois como os paredões são altos, na maior parte do dia a água está na sombra. E eu tenho certeza que você não vai querer perder a imagem inesquecível dos raios de sol contando estas águas de tirar o folego.

Esse é um daqueles lugares que se você ainda não foi, tem que ir. E se já foi, não vê a hora de voltar.