Um cruzeiro pelo Rio Nilo

Como já dizia o historiador Heródoto “O Egito é um presente do Nilo”. Realmente, sem Nilo não haveria Egito. Esse, que é o maior rio do mundo em extensão, trás vida às vastas e férteis planícies que de tempos em tempos são alagadas.

Então, para ver o Egito de uma forma diferente, nada melhor que navegar por este rio que corta o país de fora a fora, e tem as suas margens cidades incríveis, que guardam milhares de anos de história.

A bordo de um elegante e confortável cruzeiro fluvial, há opções para fazer vários trechos do rio. O que eu escolhi [o mais popular] dura 4 dias e 3 noites, parte da cidade de Aswan e vai até Luxor. Ao longo do trajeto, é claro, fazemos várias paradas para visitação dos mais impressionantes e antigos templos egípcios.

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Apreciar as paisagens do ponto de vista de quem está de dentro do rio foi uma experiência ímpar, e que me fez entender como o grande Nilo é fonte de vida para os lugares por onde passa. A velocidade do navio nos proporciona admirar tranquilamente paisagens lindas, que jamais esquecerei.

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Crianças e famílias se divertem em suas águas, se refrescando do calor desértico do Saara. E quando elas veem algum cruzeiro passar é uma festa… acenam, gritam e estampam aquele sorrisão. É possível ver também homens pescando, animais se banhando e matando a sede, e ainda muitas pessoas usando o rio para se locomover.

 

 

 

Em alguns lugares, as dunas formam belas praias, que são um paraíso para os turistas. Foi numa dessas que tive o imenso prazer de sentir o Nilo. Eu me joguei mesmo, de roupa e tudo, não sabia quando teria aquela oportunidade novamente. Senti a água gelada passando por cada parte do meu corpo, foi como se eu estivesse sendo envolta por uma atmosfera de relaxamento e frescor, onde só estava presente a magia do aqui e agora.

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Conforme o navio segue seu curso, a paisagem muda… cidades um pouco maiores vão surgindo, e começam aparecer vendedores vindos da margem do rio, tentando vender toda sorte dos mais belos tecidos para ganhar algum trocado, que garantirá o sustento de sua família.

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Uma ótima pedida a bordo do navio é contemplar um belo nascer e/ou pôr do sol. O verde das plantações contrastando com o amarelo das dunas do deserto é um show a parte. Sem falar do céu à noite… que era demais! Ainda mais tomando um vinhozinho na companhia de bons amigos, que tornam o ambiente ainda mais agradável.

Sunset - Nile

Como ninguém é de ferro, um lugar perfeito para se refrescar é a piscina do navio… era tudo que eu queria depois de algumas horas de tour, naquele calor escaldante, visitando os famosos templos. Caía como uma luva!

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Acreditem, vale muito mais a pena seguir pelo rio do que fazer esta rota por terra. Além de ter todas as refeições inclusas no pacote, ainda tinha serviço de guia e transfer, para vários atrativos turísticos. E se for em grupo, como eu fui, a viagem fica ainda mais em conta. Não precisa ser rico para curtir as maravilhas do Nilo. 🙂

Listados aqui os principais lugares visitados durante este tour.

#1 Templo de Philae

Philae Temple

Este templo foi dedicado à Isis, a deusa da maternidade, fertilidade e natureza na mitologia egípcia. Hoje está localizado em uma ilha, uma vez que este [como alguns outros da região] foi deslocado devido à construção de uma grande barragem que alagou o local original.

 

#2 Nubian Village

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Uma tradicional aldeia com casas de cores bem vivas, principalmente azul, e chão de areia. Assim é Nubian Village.

 

#3 Templos de Abu Simbel

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Próximo à fronteira com o Sudão estão os templos esculpidos em pedra de Abu Simbel. São gigantescos monumentos construídos por Ramsés II. Tanto o Grande Templo quanto o Pequeno Templo possuem na entrada enormes colossos, sendo o primeiro templo com 4 colossos de 20 m de altura e o segundo com 6 colossos de 10 m de altura, dá para imaginar?

#4 Kom Ombo

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Pilastras e mais pilastras compõem a estrutura do templo de Kom Ombo, um templo simétrico. Uma metade dele foi construída para o deus Sobek, símbolo de força e poder, representado por um crocodilo. E a outra metade para o deus Horus, conhecido também como deus do céu, representado por um falcão.

#5 Templo de Edfu

Edfu Temple by gainwelltravel.jpgby gainwelltravel

Também foi dedicado ao deus Horus, este é um dos mais belos e bem conservados templos do Egito. Está quase intacto, como dá para ver pelo estado de suas paredes, pilastras e desenhos.

#6 Templo de Luxor

Luxor Temple by askideas.jpgby askideas

É o único monumento do mundo que agrupa tantas influências arquitetônicas de diferentes épocas/culturas: faraônica, greco-romana, copta e islâmica. Além da arquitetura diferenciada, o templo também possui várias belas e imponentes estátuas.

#7 Templo de Karnak

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É o maior templo do Egito. Sua construção também foi realizada durante várias épocas. Aproximadamente 30 faraós contribuíram para a formação desse complexo, permitindo atingir tamanho, complexidade e diversidade não vistos em outros lugares. É um verdadeiro museu ao ar livre.

#8 Vale dos Reis

Valley of the Kings by Peter Tyson.jpgby Peter Tyson

Só pelo nome já dá para ter uma ideia da importância desse vale, que foi o lugar escolhido para as tumbas de inúmeros faraós. Até hoje já foram descobertas 63 tumbas, sendo a tumba do poderoso Tutacamon, a mais recentemente descoberta, em 1922. Essas tumbas, seguindo a tradição, eram muito bem decoradas e recebiam os artefatos mais preciosos dos faraós. Muitas delas foram alvo de saqueadores durante séculos. Mas mesmo assim, ainda é possível ver o poder que estes faraós tinham. É de se encantar!

Cedeberg: pegando carona em um deserto africano

Dentre as fantásticas experiências que você pode ter na África do Sul, sem sombra de dúvidas, uma delas tem que ser visitar um deserto.

Nossa escolha foi o Cedeberg Wilderness Area, que fica há pouco mais de 200 km ao norte de Cape Town.

Para chegar lá, a princípio, era tudo muito simples. Bastava pegar um ônibus da Intercape na rodoviária de Cape Town com destino à Namíbia e descer no meio da viagem, na parada de Clanwilliam, uma pequena cidadezinha que serve de base para os aventureiros que querem explorar esta região. Então foi o que fizemos, embarcamos no fim da tarde, no ônibus que passa a noite viajando e chega à Namíbia no dia seguinte.

Só que esqueceram de nos contar um pequeno detalhe. O ponto de parada do ônibus em Clanwilliam, não era bem na cidade de Clanwilliam, e sim em um posto de gasolina, que fica a cerca de uns 5 km da cidade propriamente dita.

Então lá estávamos nós, na escuridão da noite, em um posto de gasolina [que já estava fechado], sem nada nem ninguém a nossa volta. E aí começa a aventura…

Para nossa sorte, junto conosco desceu do ônibus um casal de velhinhos viajantes que, pareciam ser mais precavidos que nós, e já tinham um senhor esperando por eles num carro. Em questão de segundos percebemos que esta seria nossa única oportunidade da noite para sairmos daquela situação [no mínimo desconfortável] e de conseguirmos chegar à civilização. Então imediatamente saímos correndo em direção ao carro e imploramos por uma carona, que nos foi dada, creio eu que mais por pena do que por boa vontade.

Na primeira oportunidade o motorista dos velhinhos se livrou de nós, nos deixando no único bar/restaurante da cidade que ainda estava aberto. Agora pelo menos estávamos a salvo, então resolvemos sentar e comer alguma coisa. E aí mais uma vez o destino nos deu a chance de mudar o rumo da história.

O cara da mesa ao lado percebeu que falávamos português e logo deu um jeito de puxar assunto. O Roelf era Sul-Africano, mas como tinha trabalhado por um tempo em Moçambique, sabia algumas poucas palavras em português e disse que tinha o sonho de conhecer o Brasil [e suas mulheres maravilhosas]. Ele nos chamou para sentar na mesa junto com ele e seu amigo, e começou a nos pagar bebidas e falar sem parar. Foi incrível como ele ficou feliz de estar conhecendo brasileiros.

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Depois de algumas doses e muito papo ele se ofereceu para nos levar até a Guest House que tínhamos “reservado”, mas como era tarde da noite, ninguém nos atendeu. Estávamos bem apreensivos pegando carona com dois caras que nunca tínhamos visto antes. Mas fomos com eles até o Clanwilliam Hotel, onde eles estavam hospedados. No dia seguinte quando acordamos, eles já tinham ido embora e pago nossa diária no hotel.

Depois de rodarmos pela cidade e pegarmos algumas informações, descobrimos que não há muita oferta de transporte para conhecer o deserto. A opção mais em conta que encontramos foi esperar a senhora que leva as crianças para escola deixar a molecada em casa.

E lá fomos nós, sozinhos, em uma van escolar, num dia de semana qualquer, conhecer lugares tão lindos que aos invés de descrever, prefiro mostrar as fotos.

No dia seguinte fomos um pouco mais longe. Combinamos com um senhorzinho de ele nos levar nos outros atrativos do Cederberg.

Sabe o que mais me impressiona nessa coisa de viajar? O dia seguinte sempre tem algo de novo e maravilhoso para te revelar.

Passamos por formações rochosas incríveis em Stadsaal Cave.

Curtirmos um banho de rio em Maalgaf Swminpool.

Degustamos vinhos da melhor qualidade produzidos em um cenário pouco tradicional (no meio do deserto) pela Cedeberg Wines.

Caminhamos em meio a paisagens de tirar o fôlego.

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E para completar o dia, que até então não estava nada mal, após subir uma trilha com o sol escaldante e pedras e mais pedras por todos os lados, foi isso que encontramos. Um Oásis cheio de vida, com muito verde, sapinhos cantando e acasalando por todos os lados, passarinhos voando, e mais uma vez, só nós dois e mais ninguém. Momentos como esse ficam gravados na memória para sempre.

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Mas nem tudo são flores… Mais uma vez estávamos sujeitos ao acaso. O senhor que nos tinha conduzido na parte da manhã tinha uma festa à tarde, e disse que depois de fazermos a trilha era para nós tentarmos pegar uma carona, e se de tudo não conseguíssemos, ele voltava lá para nos buscar.

Então seguimos a orientação e fomos para a beira da estrada, e ficamos esperando alguém passar. E como era de se esperar, em um deserto, cruzaram a estrada ratos, esquilos, passarinhos e babuínos, mas carro que é bom… nada.

Já estava ficando tarde, estávamos com fome e frio, ligamos para o coroa e ele disse que só poderia chegar em umas 4 horas.

Foi então que como providencia divina apareceu nossa 3a carona do fim de semana, provavelmente a mais doida da viagem. O motorista era um senhorzinho que se agarrava ao volante e transmitia a impressão de que mal enxergava a estrada a frente e ao lado dele estava o astro da viagem, um cara novo [que parecia estar bem chapado] que, assim como o Roelf, ficou super feliz de estar conhecendo brasileiros. Ele também tinha o sonho de conhecer o país do futebol e das mulheres mais lindas do mundo.

Depois de uma longa viagem ouvindo o cara falar sem parar [entendo um quarto das frases que ele falava rápido e embolado] chegamos ao centro de Clanwilliam. E além de nos dar um forte abraço de despedida e ele fez questão que tirássemos uma foto dele para mostrarmos às nossas amigas brasileiras.   🙂

*          *          *

No dia seguinte, ao pedirmos informação no hotel sobre as formas de retornar a Cape Town, o atendente, numa atitude amistosa [mas meio esquisita], aproveitou para perguntar para um casal que estava fazendo o check-out se eles poderiam nos dar uma carona.

Por incrível que pareça, eles aceitaram e embarcamos na 4ª carona do fim de semana [e essa foi a melhor de todas].

Viajando e batendo papo, eles muito gentilmente nos convidaram para passar na casa dos pais deles para pegar seu filhinho. E como era um domingo ensolarado [numa das mais belas regiões produtoras de vinho do mundo], por que não fazer um churrasco à moda sul-africana?!

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Tivemos uma tarde maravilhosa, com boa conversa e comida, e regada de vinho local!

Mas não acaba por aí… Como o dia estava muito quente, fomos convidados a dar um pulo na casa deles e curtir um fim de tarde na piscina.

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Depois deste fim de semana, nada convencional, cheio de aventuras, pessoas e lugares incríveis, passei a ver esse lance de ser mais aberto às oportunidades da vida [o que incluiu as caronas] com outros olhos… Com pensamento positivo e uma pequena dose de coragem para sair da zona de conforto podemos ir longe!