11 curiosidades sobre o Egito – Você vai se surpreender!

Todo mundo já ouviu falar que o Egito tem uma cultura bem diferente da nossa, Ocidental. Além disso, é berço de uma civilização milenar, famosa por suas pirâmides, múmias, catacumbas e estátuas.

Mas dessa vez o que quero mostrar a vocês é um pouquinho de como o Egito, mas especificamente a Cidade do Cairo, é hoje. E quais os detalhes da sua cultura e costumes que mais me chamaram a atenção [pelo olhar de uma brasileira, que ficou por lá 2 meses].

1# Vestimentas

Posso dizer que esse foi meu maior choque no Egito. Claro que em um país mulçumano eu já esperava ver mulheres com Hijab (lenço na cabeça) e algumas com burca… Mas nem tantas! Além disso, há mulheres que usam luva e até meia, caso estejam de sandália. Isso tudo para não mostrar nadica de nada. A única coisa que elas deixam à mostra são os olhos.

Burca by Egyptian Streetsby Egyptian Streets

Existem aquelas que não são adeptas ao lenço e andam com a cabeça descoberta. Mas sempre respeitando o código moral e religioso de não mostrar algumas partes do corpo, para não chamar muito a atenção dos homens.

E por falar neles… A maioria dos homens usam roupas bem parecidas com que se usa aqui no Brasil. Mas têm aqueles mais tradicionais que usam turbante e a galabeya, um estilo de túnica.

Senhor com Turbante by dailytravelphotosby dailytravelphotos

2# Religião

A religião que prevalece no Egito é a mulçumana (80% a 90% da população). Por isso é comum escutar as chamadas para rezar em autofalantes nas mesquitas e até mesmo nos autofalantes que ficam espalhados pelas ruas. São no total 5 chamadas à oração por dia. E não importa o que as pessoas estejam fazendo… Todo mulçumano que leva a religião a sério pára para fazer a prece, seja nas mesquitas, no trabalho, em casa e até mesmo nas ruas. Para que se possa ajoelhar, existem tapetes distribuídos nas calçadas, no metrô, no shopping, etc.

Prece Mulçumana by Constanza Gallardoby Constanza Gallardo

Mais uma curiosidade, apenas aos homens é permitido rezar em lugares públicos. Isso mesmo! As mulheres devem rezar em casa ou em lugares reservados para elas dentro das mesquitas (geralmente nos fundos, atrás dos homens). Além disso, há algumas restrições religiosas quando a mulher está menstruada, como: rezar, jejuar, manter relação sexual e entrar nas mesquitas.

Mulheres Mulçumanas by Christophe Lovinyby Christophe Loviny

É bom lembrar que há também uma parte importante da sociedade que segue à Igreja Ortodoxa Copta (variação egípcia da Igreja Ortodoxa).

3# Chá e Shisha

Sabe aquela gelada no final do dia?… Nem pensar! Como para os mulçumanos é proibido o consumo de bebidas alcoólicas, o negócio lá é chá e shisha [mais conhecido no Brasil como narguile]. O chá é uma tradição no Egito, e por isso em quase toda esquina é possível ver homens tomando chá preto com folhas de menta e fumando shisha.

Chá e Shisha by Pascal Meunierby Pascal Meunier

4# Comércio

Quando se trata de ir às compras, os egípcios são muito mais noturnos que nós. Isso mesmo, lá a maioria do comércio abre às 10h da manhã e fecha às 2h da madrugada. Isso vale para diversos estabelecimentos: vestuário, salão de beleza, mercados, restaurantes, cafés e segue a lista. Sem falar daqueles que ficam abertos 24 horas.

Khan el-Khalili by Gurukalehuruby Gurukalehuru

5# Final de semana

Final de semana é na sexta e no sábado, ou seja, domingo é dia de trabalhar. Isso porque os muçulmanos consagram a Deus a sexta-feira, como os católicos os domingos, e os judeus os sábados.

6# Música

Não dá para ficar parado! As músicas atuais do Egito são bem animadas e soam muito bem. É uma mistura de eletrônico, músicas de casamento, hip-hop e outras batidas. Esse novo estilo musical, “mahraganat”, surgiu após a queda de Hosni Mubarak, em 2011. Hoje os egípcios usam a música com uma ferramenta de expressão, abordando as mudanças culturais e políticas que vem acontecendo no país.

Se você quiser saber mais sobre a tradicional dança do ventre (belly dance), existem algumas casas de show exclusivas para isso.

7# Comida

A comida típica e mais conhecida no Egito é o Koshary e o Shawerma. O Koshary é um prato bem nutritivo [e com bastante carboidrato], tendo como base macarrão, arroz, lentilha, molho de tomate picante e cebola frita.

Koshari by Jason Loweby Jason Lowe

Já o Shawerma é um famoso sanduíche, servido em um pão egípcio, composto por fatias de frango ou carne bovina assada e complementos. Os dois são uma delícia!

Shawarma by Veronica_s Cornucopiaby Veronica’s Cornucopia

Além disso, o país é bem servido com toda aquela culinária árabe deliciosa.

8# Moeda

O nome da moeda é Libra Egípcia (egyptian pound – EGP), mas pode falar apenas “pounds”. Já as moedinhas são chamadas de piastres. Não se preocupe, se você não souber os números em árabe, as notas [diferentes das moedas] tem no seu verso o valor correspondente em número cardinal.

Egyptian Pound by Tulipe Noireby Tulipe Noire

9# Trânsito

Já ouviu falar em caótico? Essa é a palavra que descreve bem o que é o transito de Cairo. Para atravessar a rua é preciso quase de uma aula. Sinal vermelho?! Não existe mesmo! E para deixar mais agradável o ambiente, nada melhor que BUZINAR! Se buzina para tudo. Buzinar é quase pisar no acelerador. Haja ouvido!

TO GO WITH AFP STORY: (FILES) A file picby Khaled Desouki

10# Arquitetura

Cairo apresenta uma arquitetura bem antiga, principalmente o Centro. Me chamou atenção o fato da grande maioria dos prédios e casas ser em tons de bege e marrom, o que confere à cidade um ar meio monocromático. Para adicionar um pouco de vida, em quase todo lugar há mesquitas, que embelezam a paisagem. A cidade naturalmente foi se desenvolvendo, e hoje em alguns bairros, mais afastados do centro da cidade, já é possível ver construções mais modernas.

Cairo by Royally Bellaby Royally Bella

11# Gatos

Estranho ter um item com esse nome “gatos”. Mas é impossível não lembrar deles. No Egito, em qualquer lugar, principalmente em Cairo, é possível ver gatos e mais gatos em todos os cantos!

Gatos de Cairo by Aymann Ismailby Aymann Ismail

Eles foram considerados sagrados no Egito Antigo, pois ajudaram a combater os ratos que infestavam a região. Além disso, a deusa Bastet (símbolo do prazer, da fertilidade, da música e do amor) tinha cabeça de gato.

White and Black Desert – Um tour pelo deserto do Saara

Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada.
Não se sente nada. E no silêncio alguma coisa irradia.(O Pequeno Príncipe)

Assim como muitas das frases desse livro mágico [pelo qual sou apaixonada], mesmo com poucas palavras, esta frase relata bem como é estar no deserto. O simples se torna algo realmente extraordinário. Um lugar onde seus sentidos experimentam sensações incomuns, que Alain De Botton, em A Arte de Viajar, descreve com “o sublime”. E foi exatamente isso que senti nesses dois dias no Deserto do Saara, desbravando especificamente os desertos branco e preto.

Akabat (panorama) - Saara.jpg

Depois de percorrer mais de 400 km em direção ao sudoeste, bem distante do caos da capital, Cairo, iniciamos o tour pelo deserto, localizado nos arredores da pequena cidade de Farafra.

A primeira parada foi para um almoço árabe em uma humilde casa de um vilarejo dentro no deserto. A comida estava uma delícia, e ainda tivemos frutas de sobremesa. Em seguida, visitamos o Deserto de Cristal e logo depois o El Akabat, com suas belas dunas de areias, boas para aqueles que curtem o sandboard. Ou ainda para aqueles, como eu, que quiserem algo mais calmo, apenas apreciar a vista, que é extraordinária.

Já escurecendo, chegamos ao principal destino do dia, o Deserto Branco, um Parque Nacional de aproximadamente 300 km2. Lá passamos a noite acampados no meio do nada. A lua crescente iluminava gentilmente a paisagem noturna, nos proporcionando uma vista incrível de um horizonte adornado por formações rochosas de calcário, esculpidas pelo vento. A sensação que tive era que estava em outro planeta.

Noite Estrelada no Deserto Branco.jpg

A noite foi preenchida por um conjunto de elementos que tornavam a experiência ainda mais legal: fogueira, churrasco, caminhada noturna e a ilustre [e inusitada] visita de uma pequena raposa vermelha árabe (Vulpes vulpes arábica), atraída pelo agradável aroma de nosso churrasquinho.

Enquanto todos foram dormir no acampamento, preferir fazer algo diferente. Peguei meu saco de dormir e o coloquei próximo à fogueira para admirar o céu, salpicado de estrelas brilhantes, ver a raposa, que ainda rondava gentil e inofensivamente nosso acampamento em busca de mais alguma migalha, e é claro escutar o pacífico, e ao mesmo tempo inóspito, silêncio da noite.

Foi uma das melhores noites da minha vida! Não queria dormir, queria aproveitar cada segundo daquele momento.

E foi mais ou menos isso que aconteceu… Dormi apenas 1 hora. E já acordei com o céu clareando ao redor e o sol vindo com seus primeiros raios, iluminando vagarosamente a vastidão de areia e rochas.

Nascer do Sol - Deserto Branco.jpg

Tomar o café da manhã naquela paisagem alegrou mais ainda o meu dia. Agora, já bem de dia, as formações surreais de calcário ganhavam outra cor e era possível ver mais claramente cada detalhe. Galinhas, camelos, cogumelos, com um pouquinho de imaginação todas as rochas assumem formas familiares. Além disso, o branco do calcário dá a sensação que você está vendo neve em pleno deserto.

Um pouco ao norte do deserto branco, está o Deserto Preto, nosso último atrativo do dia. Um local formado de pedras vulcânicas e minério de ferro fundidos que revestem as demais montanhas de coloração dourada.

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“Escalar” uma dessas pequenas montanhas para ver a vista é quase uma obrigação, a paisagem te faz se sentir vivo e querer viver ainda mais.

Deserto Preto - Panorama.jpg

Depois desse ponto regressei a Cairo com o coração e a mente cheios de imagens e sentimentos lindos. A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.(O Pequeno Príncipe)

Uma experiência única e cheia de simbolismo na vida de alguém que quer continuar vendo o mundo com a simplicidade e paixão de uma criança.