Chapada Diamantina: roteiro de uma semana

No coração da Bahia, cercado por inúmeras cachoeiras, grutas, cânions e vales, se encontra o Parque Nacional da Chapada Diamantina, o segundo maior parque nacional do Brasil.

Com uma extensa área, de quase 40 mil km², o parque abrange uma série de municípios. E por conta de suas dimensões, com seus principais atrativos localizados a dezenas de quilômetros uns dos outros, muitas pessoas optam por se deslocar sobre quatro rodas para aumentar seu raio de alcance e melhor desbravar este paraíso.

Como só tínhamos uma semana, nossa estratégia foi dar a volta ao redor da Chapada, conhecendo um pouquinho de cada canto, indo apenas aos atrativos mais espetaculares, pois não tínhamos tempo suficiente para conhecer tudo que a Chapada oferece. E acredite, se você quiser explorar a fundo suas maravilhas, um mês lá é pouco!

Marcamos aí o nosso roteiro em vermelho, e falaremos aqui em baixo um pouco dos lugares que mais curtimos:

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# 1 VALE DO CAPÃO

Depois de dois dias de viagem, partindo de Niterói, chegamos ao Vale do Capão, um local acolhedor, com aquele clima bem roots, cheio de opções para comer muito bem [com uma incrível oferta de receitas vegetarianas e veganas]. As cachoeiras do Rio Preto e a das Rodas são atrativos bem legais e de fácil acesso. Já para aqueles que tiverem um pouquinho mais de tempo, recomendo fazer o trekking que leva ao Vale do Paty, que tem no meio do percurso a impressionante cachoeira da Fumaça, segunda mais alta do Brasil, com 340 metros.

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Cachoeira_da_fumaça_by RoneyBy Roney

#2 GRUTA DA TORRINHA

Seguindo para o Norte, chegamos à cidade de Iraquara, onde se encontram mais de 200 cavernas e outras interessantes formações geológicas. Nossa escolha foi conhecer a Gruta da Torrinha, que é simplesmente impressionante! Para você ter uma ideia, passamos uma tarde inteira na nossa viagem ao centro da terra e vimos apenas uma pequena parte das maravilhas desse mundo subterrâneo. É incrível ver tanta beleza e delicadeza, de formações envoltas permanentemente pela escuridão absoluta. A Flor de Aragonita é uma das joias mais raras do Salão dos Cristais, pois é uma formação única no mundo, que desafia a gravidade.

Gruta da Torrinha_Chapada Diamantina
Flor de Aragonita_Chapada Diamantina

#3 MORRO DO PAI INÁCIO

Para fechar bem o dia, nada melhor que ver o pôr do sol com a clássica vista panorâmica da Chapada, que se tem do topo do morro de Pai Inácio, um dos atrativos mais requisitados da região. Depois de estacionar o carro, basta subir cerca de 20 minutos para se chegar a um local que te faz sentir como é bom estar vivo e poder admirar as belezas da natureza. São 360° de vistas de tirar o fôlego!

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#4 POÇO DO DIABO

Bem próximo à cidade de Lençóis [onde passamos e curtimos a noite], está o Poço do Diabo com suas belas águas avermelhadas. Além de ser linda e ótima para curtir um banho de rio, essa cachoeira conta ainda com opções de Rapel e Tirolesa para os mais aventureiros.

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Em direção a Andaraí, encontramos um lugar fantástico para acampar no meio do nada. E era tudo o que a gente queria, uma vez que fomos equipados para isso mesmo. Tudo estava em um arranjo completo: uma vasta área com dunas de areia branca e a cachoeira ao fundo para desfrutarmos. A noite foi coroada pela fogueira, um céu estrelado e o som da natureza.

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5# POÇO ENCANTADO

Continuando nosso roteiro, seguimos a caminho do poço encantado, um lugar que realmente merece receber esse nome, de tanta magia e energia que transmite. O poço encantado te hipnotiza com sua transparência e tonalidade de azul. É tão impressionante, que ao entrar na gruta você demora a ter ideia do espaço em que você está. Em um certo período do ano [outono e inverno] devido à posição do sol, é ainda mais fascinante, uma vez que raios solares penetram na caverna, formando um incrível feixe de luz azul turquesa que intensifica ainda mais sua cor.

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6# IGATU

Para passar a noite seguinte escolhemos a mística vila de Igatu. Passado seu apogeu, vivido no período do garimpo de diamante, hoje a cidade (com apenas de 380 habitantes) conta sua história através de ruínas de pedra. As construções eram feitas pelos garimpeiros, utilizando as pedras abundantes no local, num tipo de construção sem argamassa, e por isso a cidade ficou conhecida como a Machu Picchu baiana. Além da valiosa história, a cidade ainda guarda várias belezas naturais como cachoeiras e paredões rochosos, perfeitos para os ecoturistas.

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7# BURACÃO

Chegamos enfim ao destino mais esperado de toda viagem, a imponente Cachoeira do Buracão. São 90 metros de cortina d’água que corta um vertiginoso cânion. Chegar na beirada desse precipício é dar calafrios. Lá em baixo você pode se banhar nessas águas mágicas e olhar para o céu como que emoldurado por um túnel vertical. Para chegar ao Buracão é necessário fazer uma trilha de mais ou menos 1 hora, com direito a paradas em outros atrativos durante o caminho (Cachoeiras das Orquídeas, Cachoeira do Recanto Verde e Mirante do Buracão).

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*  *  *

Esses foram os pontos altos do nosso offroad pela Chapada Diamantina. É claro que no percurso entre um atrativo e outro, paramos para conhecer e desbravar vários lugares menos conhecidos, mas igualmente especiais.

Era então hora de voltar para casa… Com o carro sujo, e a alma lavada.

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P.S.: Não poderia deixar de citar também a comida, que é realmente uma atração a parte! É tudo muito bem temperado e feito com bastante amor.

Se você estava em dúvida de conhecer a Chapada, não pense duas vezes. O problema é que você vai se apaixonar e querer voltar sempre, assim como nós!

Estrada Real: Seguindo o Caminho dos Diamantes

Famosa entre os amantes de aventuras e lindas paisagens, a Estrada Real, com seus mais de 1.600 Km, corta 3 estados, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Esta rota recebe esse nome, pois era o trajeto oficial por onde a Corte Portuguesa escoava ouro e diamantes vindos das Minas Gerais.

O caminho percorrido há mais de três séculos, por burros e cavalos, hoje é uma das principais rotas de aventura do Brasil e pode ser percorrido de bike, de moto, de carro e até mesmo a pé, e é dividido em 4 trechos: Caminho dos Diamantes, Caminho Velho, Caminho Novo e Caminho do Sabarabuçu.

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Como não tínhamos tempo para percorrer toda a Estrada, optamos por começar pelo trecho mais distante: o Caminho dos Diamantes, que vai de Diamantina a Ouro Preto.

São 395 km viajando pela Serra do Espinhaço, com suas paisagens exuberantes, tendo pelo caminho a 3ª maior cachoeira do Brasil [Cachoeira do Tabuleiro], o Parque Nacional da Serra do Cipó [com 109 cachoeiras] e, ainda, um Sítio Arqueológico com pinturas rupestres de milhares de anos. Tá bom ou quer mais?

Além de dar dicas sobre este trecho, queremos compartilhar com você um pouco das emoções dessa viagem, que não foram poucas.

1º dia – Diamantina

Depois de ter dirigido 10 horas e curtido a 1ª noite da viagem dormindo no meio do nada, à beira da estrada, em um acampamento selvagem

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…chegamos à tão esperada Diamantina.

Em Diamantina não perdemos tempo, fomos logo conhecer o Parque Estadual do Biribiri, que tem vários atrativos super legais.

A primeira parada foi na Cachoeira da Sentinela (7 Km da entrada do Parque), que possui várias quedas e poços de coloração única e águas cristalinas.

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Depois de muito banho de rio, seguimos até a bucólica Vila do Biribiri, um ótimo lugar para almoçar e tirar uma pestana.

A vila, uma antiga indústria têxtil, tem casarões históricos, ruas de pedra e uma praça central toda gramada e arborizada, com alguns restaurantes que servem aquela típica comida mineira e cachacinha artesanal. É de dar água na boca!

Próxima parada, Cachoeira dos Cristais (13 km da portaria do parque), com uma queda d’água invejável, que dá até para ficar em pé atrás, e um ótimo poço para mergulhar.

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2º dia – Curralinho e Milho Verde

Após acabarmos com o café da manhã da pousada [Rs], andamos um pouco mais pelo centro histórico de Diamantina e retiramos nosso passaporte para começarmos efetivamente a Estrada Real.

No caminho passamos pela Gruta do Salitre, local que foi palco de concertos [por sua ótima acústica] e que hoje atrai amantes de esportes radicais, como escalada, rapel e até highline.

Seguindo viagem, paramos para almoçar em Curralinho, e logo que chegamos fomos surpreendidos com a calmaria do lugar… Dá só uma olhada na delegacia! 🙂

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Lá almoçamos no restaurante da Pousada Tropeiro, onde nos sentimos em casa! Local simples e acolhedor. Comida feita na hora e no fogão à lenha.

Descansamos, nos refrescamos na represa de Curralinho e seguimos pela Estrada Real com destino a São Gonçalo do Rio das Pedras.

Por ter chegado no final do dia, só deu tempo de tiramos algumas fotos na Matriz, pegar o carimbo e ir correndo ver o pôr do sol na Cachoeira do Comércio.

3º dia – Milho Verde e Vila do Tabuleiro

Depois de uma noite acampando no meio do nada na estrada para Milho Verde [mais um acampamento selvagem], acordamos com este visual incrível.

Seguimos para Milho Verde e ficamos deslumbrados com o cenário panorâmico da Serra do Espinhaço que se tem por trás da pequena Igrejinha.

Ansiosos para tomar um banho decente [que não tivemos na noite anterior], fomos conhecer a Cachoeira do Moinho, que fica a 2 Km de Milho Verde.

Assim que chegamos, avistamos um poço com uma quedinha d’agua. Ficamos um bom tempo, tomamos nosso banho e só no final que percebemos um fluxo de pessoas transitando na trilha. Quando fomos ver… tinha uma baita cachoeira [lindíssima] com o tal moinho [Rs].

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Neste dia aproveitamos para dar uma esticada na Estrada Real e passamos por Serro, Alvorada de Minas, Tapera, Conceição do Mato Dentro e por fim, já anoitecendo, saímos um pouco da rota e fomos acampar na Vila do Tabuleiro.

4º dia – Vila do Tabuleiro

O camping em que ficamos tinha uma ótima estrutura e fornecia um delicioso café da manhã.

Acordamos cedo e seguimos para o Parque Municipal Ribeirão do Campo, conhecida também como Parque do Tabuleiro [que fica nas costas da Serra do Cipó].

A Cachoeira do Tabuleiro, com 273 metros de queda livre, é a mais alta de MG e a 3ª maior do Brasil. Você chega de carro até a entrada do parque e depois faz uma trilha de pouco mais de 1h de caminhada. Logo no início tem uma boa descida [o que significa que na volta você vai ter que subir] e depois é só seguir margeando o rio, onde há vários poços perfeitos para um TIBUM.

A Cachoeira do Tabuleiro é um ótimo lugar para quem gosta de adrenalina, pois, além de dar uns mergulhos numa [enorme] piscina natural, você pode praticar rapel, escalada, base jumping e para quem é mais pé no chão, trekking pois existem várias trilhas no local.

Almoçamos num lugar super bonitinho, com diferentes opções de PF [inclusive para vegetarianos], diferentes tipos de suco e, é claro, cachaça artesanal [que foi consumida lá mesmo].

5º dia – Vila do Tabuleiro e Itambé do Mato Dentro

Deixando a Vila do Tabuleiro, não resistimos à tentação e fomos conhecer mais uma das lindas cachoeiras da região, a Cachoeira Rabo de Cavalo.

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Esta cachoeira também é enorme, tem com 3 quedas [sendo a maior de 150 metros de altura] e um ótimo poço para nadar. Realmente é um lugar encantador! Dá para ir de carro até um estacionamento e de lá pegar uma trilha de meia hora.

Seguindo viagem, retornamos à Conceição de Mato Dentro, passamos em Morro do Pilar, e seguimos dirigindo por mais um bom trecho até chegarmos no nosso destino do dia, Itambé do Mato Dentro.

Lá encontramos um excelente camping [Camping Ouro Fino], bem estruturado [banheiros, quiosques, várias churrasqueiras e boas sombras para parar o carro] e ainda por cima é cortado por um rio.

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6º dia – Cabeça de Boi

Mais uma vez fugimos um pouco da rota da Estrada Real e fomos para o distrito Cabeça de Boi [em Itambé do Mato Dentro] que, para variar, tem mais um monte de cachoeiras lindas.

A estrada é toda de chão e passa por cada paisagem de tirar o fôlego.

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Após deixarmos o carro, caminhamos uns 20 minutos até chegarmos à Cachoeira do Entancando.

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Depois de curtir uma pequena parte das várias cachoeiras da região, almoçamos no “centro” de Cabeça de Boi num restaurante de comida barata e de ótima qualidade, e voltamos para o camping de Itambé do Mato Dentro.

7º dia – Pé na Estrada

Como o tempo estava acabando e ainda tínhamos muitos quilômetros pela frente, seguimos viagem pela Estrada Real, tentando não parar muito.

Depois de sairmos bem cedo, a 1ª parada foi em Ipoema, só para tomar café da manhã e pegar o carimbo.

Passamos por um trecho da Estrada Real que mais parece cenário de filme, dentro de uma plantação de eucalipto e chegamos em Barão de Cocais.

Também no curso da Estrada Real passamos pelo Sitio Arqueológico Pedra Pintada. Lá fomos muito bem atendidos e guiados pelo dono da propriedade, que conhece profundamente o sítio com muitas pinturas rupestres, reconhecidas recentemente pela UNESCO como patrimônio histórico e cultural.

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Passamos por Santa Barbara e depois resolvemos arriscar desbravando um pequeno trecho da Estrada Real que é indicado apenas para bike ou caminhada. Queríamos passar por TODOS os marcos.

Depois de amassar muito mato, paramos em uma plantação de eucaliptos, fechada demais para o carro passar.

Não desistimos, pegamos informações com um senhor que trabalhava na fazenda e descobrimos que dava para passar por dentro da propriedade [seguindo os macetes que ele nos passou em off].

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Depois desse perrengue, seguimos para Catas Altas, uma cidadezinha muito bem preservada e com uma vista incrível para a Serra do Caraça.

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Acho que vale a pena se programar para ficar um dia neste local que parece ser incrível [tanto a cidade quanto a natureza]. Infelizmente estávamos com o cronograma apertado e só deu tempo de ir num mirante e tomar um banho rápido numa quedinha d’água [na beira da estrada].

Depois de passar por Mariana, chegamos [exaustos] ao destino final, Ouro Preto. Só neste dia foram quase 200 km de estrada de chão e lindos cenários.

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Nosso local de descanso em Ouro Preto foi o Camping Clube do Brasil, que mesmo estando meio deserto [abandonado], ainda preservava uma ótima estrutura.

8º dia – Mariana e Ouro Preto

Fomos visitar a famosa mina de ouro, conhecida como Mina da Passagem. Para o nosso passeio se tornar ainda mais divertido… Samuel tomou banho em um poço dentro da mina [que por sinal era meio que proibido], mas como ele queria muito, a guia abriu uma pequena exceção.

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No centro de Ouro Preto pegamos nosso último carimbo e o certificado da Estrada Real.

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A noite para finalizar e comemorar nossa chegada… fomos no restaurante O Passo, um restaurante muito agradável, e que segundo dizem por aí [e eu concordo] tem a melhor pizza da cidade.

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Ainda falta percorrer os outros três caminhos da Estrada Real… mais roteiros para nossa lista de destinos. E quando formos vocês vão poder acompanhar tudo por aqui.