White and Black Desert – Um tour pelo deserto do Saara

Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada.
Não se sente nada. E no silêncio alguma coisa irradia.(O Pequeno Príncipe)

Assim como muitas das frases desse livro mágico [pelo qual sou apaixonada], mesmo com poucas palavras, esta frase relata bem como é estar no deserto. O simples se torna algo realmente extraordinário. Um lugar onde seus sentidos experimentam sensações incomuns, que Alain De Botton, em A Arte de Viajar, descreve com “o sublime”. E foi exatamente isso que senti nesses dois dias no Deserto do Saara, desbravando especificamente os desertos branco e preto.

Akabat (panorama) - Saara.jpg

Depois de percorrer mais de 400 km em direção ao sudoeste, bem distante do caos da capital, Cairo, iniciamos o tour pelo deserto, localizado nos arredores da pequena cidade de Farafra.

A primeira parada foi para um almoço árabe em uma humilde casa de um vilarejo dentro no deserto. A comida estava uma delícia, e ainda tivemos frutas de sobremesa. Em seguida, visitamos o Deserto de Cristal e logo depois o El Akabat, com suas belas dunas de areias, boas para aqueles que curtem o sandboard. Ou ainda para aqueles, como eu, que quiserem algo mais calmo, apenas apreciar a vista, que é extraordinária.

Já escurecendo, chegamos ao principal destino do dia, o Deserto Branco, um Parque Nacional de aproximadamente 300 km2. Lá passamos a noite acampados no meio do nada. A lua crescente iluminava gentilmente a paisagem noturna, nos proporcionando uma vista incrível de um horizonte adornado por formações rochosas de calcário, esculpidas pelo vento. A sensação que tive era que estava em outro planeta.

Noite Estrelada no Deserto Branco.jpg

A noite foi preenchida por um conjunto de elementos que tornavam a experiência ainda mais legal: fogueira, churrasco, caminhada noturna e a ilustre [e inusitada] visita de uma pequena raposa vermelha árabe (Vulpes vulpes arábica), atraída pelo agradável aroma de nosso churrasquinho.

Enquanto todos foram dormir no acampamento, preferir fazer algo diferente. Peguei meu saco de dormir e o coloquei próximo à fogueira para admirar o céu, salpicado de estrelas brilhantes, ver a raposa, que ainda rondava gentil e inofensivamente nosso acampamento em busca de mais alguma migalha, e é claro escutar o pacífico, e ao mesmo tempo inóspito, silêncio da noite.

Foi uma das melhores noites da minha vida! Não queria dormir, queria aproveitar cada segundo daquele momento.

E foi mais ou menos isso que aconteceu… Dormi apenas 1 hora. E já acordei com o céu clareando ao redor e o sol vindo com seus primeiros raios, iluminando vagarosamente a vastidão de areia e rochas.

Nascer do Sol - Deserto Branco.jpg

Tomar o café da manhã naquela paisagem alegrou mais ainda o meu dia. Agora, já bem de dia, as formações surreais de calcário ganhavam outra cor e era possível ver mais claramente cada detalhe. Galinhas, camelos, cogumelos, com um pouquinho de imaginação todas as rochas assumem formas familiares. Além disso, o branco do calcário dá a sensação que você está vendo neve em pleno deserto.

Um pouco ao norte do deserto branco, está o Deserto Preto, nosso último atrativo do dia. Um local formado de pedras vulcânicas e minério de ferro fundidos que revestem as demais montanhas de coloração dourada.

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“Escalar” uma dessas pequenas montanhas para ver a vista é quase uma obrigação, a paisagem te faz se sentir vivo e querer viver ainda mais.

Deserto Preto - Panorama.jpg

Depois desse ponto regressei a Cairo com o coração e a mente cheios de imagens e sentimentos lindos. A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.(O Pequeno Príncipe)

Uma experiência única e cheia de simbolismo na vida de alguém que quer continuar vendo o mundo com a simplicidade e paixão de uma criança.

O que eu vim fazer no Egito?

Em dezembro de 2016, assim que chegamos da nossa trip pelo leste europeu, aceitei o desafio proposto pelo Samuel de fazer um trabalho voluntário em um país bem diferente do Brasil. Já até havia pensado em algo do tipo, mas nada concreto. Uma hora precisamos encarar o desafio de frente, e o grande momento era esse!

Foi então que, pela indicação do Tomi (nosso amigo húngaro), eu entrei em contato com a AIESEC, para participar do programa Voluntário Global.

A proposta do AIESEC tem o intuito de desenvolver autoconhecimento, confiança e empoderamento nas pessoas. Para isso, a estratégia adotada por eles foi a de promover o intercâmbio entre países, trabalhando, na maioria dos casos em parceria com ONGs, com o objetivo de ajudar no alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [da ONU]. Adicionalmente, uma vez em outro país, as diferenças culturais [e tudo de novo com que acabamos tendo contato] acabam fazendo com que tenhamos maior consciência sobre nosso impacto no mundo [que pode ser positivo ou negativo] e com isso, nos incentiva a promover as mudanças que julgamos importantes e necessárias.

AIESECer

Dentre as opções que tinha, escolhi então ser voluntária aqui no Egito. Além de uma história riquíssima [que dispensa apresentações], nos dias de hoje ainda é possível ver muitas coisas legais: cultura única [e bem diferente do que estamos acostumados], as eminentes pirâmides, múmias milenares, templos e santuários, o gigante e famoso Rio Nilo, que corta todo Egito, e segue a lista… Além disso, mesmo sendo o árabe a língua nativa, já que não falo nada de árabe e nem eles de português, essa experiência vai também ser uma boa oportunidade para eu aprimorar meu inglês.  🙂

El Nafeza, o projeto no qual vou trabalhar, mistura de uma forma super legal Reciclagem, Arte e Educação. Localizada no Cairo, esta ONG trabalha com reciclagem de papel [com uma forte veia artística], feito à base de papel usado e rejeitos agrícolas [palha de arroz, hastes de bananeira e lírios do Nilo]. Além disso, também são desenvolvidas oficinas para jovens, especialmente meninas, com o objetivo de ensinar e difundir artes, técnicas de reciclagem de papel, etc.

Quem quiser conhecer um pouquinho mais desse trabalho, é só acessar a página deles no facebook.

Mudar, sair do comodismo e ir em direção ao desconhecido é para aqueles que estão dispostos a arriscar e construir algo significante em suas vidas! Nesses dois meses [sozinha] serão tantas decisões, dúvidas, conquistas, momentos felizes [e tristes] que irei passar… eu bem sei disso!

Mas aqui estou eu, pronta para encarar mais esse desafio!

Se joga nos 30: a adrenalina de saltar de paraquedas

Foi dessa maneira, no mínimo inusitada, que eu resolvi comemorar meu aniversário de trinta aninhos. Deixando um avião em pleno voo, despencando em queda livre… Esse é o skydiving!

preparativos

Quero deixar aqui o gostinho para quem tem vontade, mas ainda não teve a coragem de se jogar nessa.

Atualmente a maior área de salto duplo do estado do Rio é no aeródromo de Resende, há cerca de 150 Km da capital.

Após uma breve preparação e informações básicas, você pegará uma pequena aeronave devidamente preparada para o paraquedismo, e quando chegar a 4.000 metros de altitude a porta se abrirá, e seus nervos começarão a ser testados.

Expectativa no Avião.jpg

E o que todos querem saber… Qual é a sensação?

Imagine seu corpo sendo lançado em queda livre, a aceleração da gravidade logo te leva aos 200 km/h, e aí é só curtir a imensidão azul por algumas dezenas segundos nos quais cabem um montão de sensações de liberdade, realização, felicidade, emoção…

Seu rosto cortando o ar gelado a mil por hora, como se fosse cena de filme. E por mais incrível que pareça, quando você olha para o chão, tudo está tão longe e pequenininho que, além de não sentir medo, você se sente o dono do mundo.  Sua mente e seu corpo chegam num estado nunca experimentado antes. É simplesmente incrível!

Posso tentar descrever essa sensação inúmeras vezes, mas só saltando para ter ideia do que eu senti. Mas uma coisa posso garantir, foram os segundos mais bem aproveitados da minha vida!

E depois de tanta loucura, vem a parte mais “calma”, quando o paraquedas se abre. E por uns 5 minutos, até chegar ao chão, ainda dá para curtir toda a paisagem. E se o seu instrutor for legal [acho que a maioria deles é] você ainda pode “guiar” o paraquedas. Maneiríssimo, não é mesmo?

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Para relembrar esses momentos incríveis [e para que ninguém duvide da sua coragem] é possível registrar tudo com fotos e/ou vídeos. Aqui está o meu…

E aí, gostou?

Então, se joga!

O que te leva ao seu destino?

Como bom ecdemomaníaco que sou, boa parte das conversas que tenho acabam sempre naquela velha história da importância (necessidade) de botar o pé na estrada e ver outras realidades, paisagens, culturas, formas de encarar a vida e por aí vai…

E quando o assunto é viagem, assim como qualquer outro tema, uma coisa é certa “não há uma verdade absoluta”. Já tive inúmeros bate-papos sobre viagens com pessoas dos mais diversos tipos e é incrível ver como cada ser humano, por mais que bem lá no fundo esteja querendo a mesma coisa, consegue ter uma visão tão particular das coisas. E isso é bom!

Cada vez que mais me aproximo de universo de viagens e viajantes [as vezes também chamados de malucos] vou expandindo e remodelando a minha forma de enxergar esse mundo.

Mas chega de blá blá blá… Vou logo contar o que me fez escrever esta matéria.

O ato de viajar, que existe [acho eu] desde sempre, sabidamente pode ter várias objetivos. Historicamente pessoas viajam para sobreviver, encontrar terras mais férteis, fugir (do frio, do calor, da seca, da guerra…), expandir as fronteiras do universo conhecido, ir além do horizonte que se vê, adquirir novos conhecimentos, e até por uma vontade inexplicável de simplesmente ir ver o que nunca viu e sentir o que nunca sentiu.

Agora, o que eu nunca tinha parado para pensar são as inúmeras formas de se viajar. Já vi história de gente que viajou das mais diferentes formas:

A pé

Dani a pé

De bike

Arthur de bikeArthur Simões

De moto

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De carro bom

Challenging Your Dreams 03-1Challenging your Dreams

De carro ruim

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De caminhão

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De trem

trem

De barco

barco-1Destino Canela

Não há limites para a criatividade humana.

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E sabe o que toda essa galera tem em comum?

Todos acabam gostando da coisa e querem fazer de novo, mais e mais…