Um fim de semana em Teresópolis

Bem pertinho do Rio de Janeiro, a aproximadamente 1h e 30 min, está a cidade que talvez melhor represente o clima da região serrana do estado. Com diversos atrativos naturais, como vales, cachoeiras e montanhas, Teresópolis ainda preserva aquele jeitinho de cidade pequena, limpa, organizada e aconchegante.

Destino certo dos amantes do montanhismo e demais esportes outdoor, Teresópolis é o principal portal de acesso a um dos mais incríveis parques nacionais do país, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos [que é tão legal que vamos escrever um post específico para ele].

cidade

Ao chegar na cidade é literalmente impossível não se admirar com a exuberância das montanhas que a circundam. Nessa paisagem chama atenção o famoso Dedo de Deus, que tamanha sua imponência, é possível claramente avistá-lo a mais de 100 Km dali. Antes mesmo de chegar, ao subir a serra, passando aos pés dessas montanhas colossais, você começará a entender do que estou falando.

Mas como sabemos que nem todo mundo está com tempo e disposição para explorar os atrativos do Parque Nacional, separamos este post para te apresentar dois cantinhos de mais fácil acesso. Ambos estão situados em outra admirável unidade de conservação, o parque Estadual Três Picos.

Cachoeira dos Frades

Localizada no Vale dos Frades, na estrada que liga Teresópolis à Nova Friburgo, numa região sossegada e com muito verde, está a cachoeira que leva o nome do vale, Cachoeira dos Frades.

Os seus grandes degraus formam uma queda de um total de 10 metros de altura, com um bom volume d’água, ideal para aquela massagem. Logo abaixo da queda forma-se uma linda [e bem gelada] piscina natural. Mas temos que dar um desconto, pois fomos no inverno. Os moradores dizem que no verão é mais tranquilo de mergulhar.

Além da queda principal, há diversos outros pontos para nadar e curtir a beleza do local. Se você der sorte de ir, como nós, em um dia que a cachoeira esteja sem muitos visitantes, a pedida ideal é relaxar e aproveitar com bastante calma a energia do lugar, a sombra da linda e tranquila paineira, sentir a leve brisa que corre o vale, ouvir o canto dos pássaros, e, é claro, o barulhinho da água. Paz!

Pedra do Elefante

Uma vista privilegiada para as incríveis escarpas da Serra dos Órgãos e o Dedo de Deus.

A trilha começa bem pertinho do mirante do soberbo. A subida é toda dentro da mata fechada, com muitas arvores e raízes que dão um bom apoio nas partes mais íngremes. Mas não tem nada demais… todo mundo consegue fazer, até porque é bem rápida, uns 40 minutinhos.

Demos uma sorte de conseguir ver boa parte da serra dos órgãos, pois depois de uns 15 minutos que chegamos uma nuvem tomou conta e tudo ficou branquinho.

nuvem1

Se joga nos 30: a adrenalina de saltar de paraquedas

Foi dessa maneira, no mínimo inusitada, que eu resolvi comemorar meu aniversário de trinta aninhos. Deixando um avião em pleno voo, despencando em queda livre… Esse é o skydiving!

preparativos

Quero deixar aqui o gostinho para quem tem vontade, mas ainda não teve a coragem de se jogar nessa.

Atualmente a maior área de salto duplo do estado do Rio é no aeródromo de Resende, há cerca de 150 Km da capital.

Após uma breve preparação e informações básicas, você pegará uma pequena aeronave devidamente preparada para o paraquedismo, e quando chegar a 4.000 metros de altitude a porta se abrirá, e seus nervos começarão a ser testados.

Expectativa no Avião.jpg

E o que todos querem saber… Qual é a sensação?

Imagine seu corpo sendo lançado em queda livre, a aceleração da gravidade logo te leva aos 200 km/h, e aí é só curtir a imensidão azul por algumas dezenas segundos nos quais cabem um montão de sensações de liberdade, realização, felicidade, emoção…

Seu rosto cortando o ar gelado a mil por hora, como se fosse cena de filme. E por mais incrível que pareça, quando você olha para o chão, tudo está tão longe e pequenininho que, além de não sentir medo, você se sente o dono do mundo.  Sua mente e seu corpo chegam num estado nunca experimentado antes. É simplesmente incrível!

Posso tentar descrever essa sensação inúmeras vezes, mas só saltando para ter ideia do que eu senti. Mas uma coisa posso garantir, foram os segundos mais bem aproveitados da minha vida!

E depois de tanta loucura, vem a parte mais “calma”, quando o paraquedas se abre. E por uns 5 minutos, até chegar ao chão, ainda dá para curtir toda a paisagem. E se o seu instrutor for legal [acho que a maioria deles é] você ainda pode “guiar” o paraquedas. Maneiríssimo, não é mesmo?

Relax.jpg

Para relembrar esses momentos incríveis [e para que ninguém duvide da sua coragem] é possível registrar tudo com fotos e/ou vídeos. Aqui está o meu…

E aí, gostou?

Então, se joga!

Pico das Agulhas Negras: rumo ao ponto mais alto do RJ

Não é atoa que o Parque Nacional do Itatiaia é a primeiro parque nacional do Brasil. Situado na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o parque apresenta inúmeros atrativos, seja na sua parte alta, com 3 dos 10 picos mais altos do país [um verdadeiro playground para os montanhistas], ou ainda na parte baixa, com cachoeiras e paisagens simplesmente lindas.

Na nossa primeira visita à parte alta escolhemos logo subir o pico mais alto do estado do Rio de Janeiro, famoso por suas rochas de arestas vivas, pelo vento cortante e, é claro, pelas temperaturas negativas.

A aventura já começou no dia anterior à subida do pico. Depois de pegar aquele trânsito de sexta-feira à noite acabamos chegando, não muito bem orientados, à divisa dos estados RJ/MG, de onde saímos da estrada em direção à portaria do parque (uns 13 km em estrada de chão). Como não sabíamos ao certo onde ficava a acomodação que vimos na internet, decidimos procurar algum lugar para dormir próximo à portaria do parque. O problema é que passado da meia noite, no meio do nada, acabamos rodando por horas pela estrada esburacada até por fim, já quase duas da manhã, acharmos um pontinho de luz lá longe, que foi motivo de uma comemoração digna de final de copa do mundo.

Após uma noite de poucas horas de sono, fomos até a entrada do parque para encontrar com o Reginaldo, nosso guia. Para subir o Pico das Agulhas Negras é necessário contratar um guia, pois há vários pontos do percurso que demandam a utilização de cordas e equipamentos de escalada.

O trajeto da portaria até o Pico dura cerca de 3 a 4 horas, dependo do ritmo e do tamanho do grupo. A trilha é super agradável, com visuais incríveis e uma boa dose de desafio à medida que as rochas vão ficando mais inclinadas.

O ponto alto do dia [olha o trocadilho] foi, depois de chegar ao cume, descobrir que para chegar ao cume de verdade [cerca de 1 metro mais alto] e assinar o famoso livro, ainda seria necessário transpor uma íngreme fenda. Ok, “está na chuva é para se molhar”. Fazer mais esse trecho vale muito a pena, pois além do sentimento de missão cumprida, temos a oportunidade de sentir um pouco mais daquela substanciazinha que tanto gostamos [adrenalina].

Na volta como estávamos com o Reginaldo, um guia incrível, que além de passar muita confiança, faz com que estejamos sempre curtindo cada metro do caminho, aproveitamos para fazer mais uns trechos em rapel.

No retorno para a entrada do parque, o corpo já estava tomado pela endorfina. E ao admirar o magnífico cenário a nossa volta, é quase impossível não fazer planos para a próxima visita a este paraíso dos amantes da montanha.

E para fechar, como é de praxe, um mergulho [pelado] nas águas congelantes do córrego que corta o vale, e mais uma parada para contemplar a natureza.

 

Três Picos: montanhas desafiadoras e um vale dos deuses

O montanhismo, ainda não sei muito bem por que, tem a capacidade de viciar nossos sentidos com visões difíceis de descrever em palavras e em atmosferas rarefeitas, adornadas pelo frio, pela névoa e por um misterioso ar que dissipa toda e qualquer preocupação mundana.

Este fim de semana entendi por que o Parque Estadual dos Três Picos representa tão bem este espírito que paira no imaginário dos amantes da montanha.

Já na década de 20 os montanhistas descobriram este paraíso, e de lá para cá seu potencial para turismo de aventura e contemplação da natureza vem se desenvolvendo gradativamente. Criado por Decreto em 2002, o Parque Estadual dos Três Picos, é hoje o maior Parque Estadual do Rio de Janeiro, abrangendo parte da área de 5 municípios (Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo, Teresópolis, Guapimirim e Silva Jardim).

O parque por sua localização e extensão territorial, que pode ser dividida em parte alta e parte baixa, apresenta inúmeros atrativos como fauna e flora rica e variada, grande número de nascentes, rios e cachoeiras, e uma gama de paisagens de tirar o fôlego!

Desta vez nosso destino foi a região de Salinas onde ficam as principais montanhas, dentre elas os imponentes Três Picos.

Saindo da estrada que liga Nova Friburgo a Teresópolis (RJ-130), próximo ao CEASA, você vai tomar uma estradinha cheia de curvas que corta uma das áreas rurais mais bonitas do Estado e responsável pela produção de boa parte de nossas hortaliças.

DSC_9621-1.jpg

Após sair da RJ-130 você percorrerá um total de 17 km de estrada (12 de asfalto e 5 de terra batida). É fácil encontrar o caminho, pois ao longo do mesmo há muitas placas indicando o percurso a ser seguindo. Após subir os quilômetros finais [bem inclinados] você chega à porteira da República Três Picos, onde você deve estacionar o carro, atravessar a porteira do Parque e seguir um percurso de menos de 2 Km [já repleto de paisagens que não vão te deixar largar a câmera por minuto sequer] até chegar ao local onde você pode montar acampamento.

No acampamento base, seja de dia

Ou à noite

DSC_9755-1

Não vão faltar oportunidades de curtir o clima da montanha. E se você estiver com sorte de ir em um dia de inverno rigoroso, aquele friozinho [que te faz usar TODAS as roupas que tiver na mochila] é garantido.

Além de curtir o acampamento, esta região do Parque é repleta de opções para pôr o corpo em movimento, desde tomar uma das inúmeras longas vias de escalada em rocha para acessar o cume dos enormes monolitos do vale [ainda não cheguei neste nível] ou mesmo fazer uma trilha tranquila para alcançar os cumes mais acessíveis [com vistas igualmente deslumbrantes].

Nossa opção desta vez foi deixar o acampamento às 4:30 da manhã e subir a Cabeça do Dragão para assistir e registrar o majestoso nascer do sol sobre um mar de nuvens.

13446378_10210057281612687_1781428914_o-1

Depois de uma pausa para o café da manhã [com vista] e uma volta pelo topo da montanha, admirando essa paisagem, é hora de voltar para casa e já fazer planos para a próxima…

Não vejo a hora de voltar e explorar um pouco mais desse paraíso. Mas enquanto não volto, vou me confortando com estas imagens. 🙂

Os 10 lugares mais legais para acampar no Rio de Janeiro

Se você está querendo fugir da rotina e curtir um cantinho mais alternativo. Prepare-se! Separamos 10 destinos perfeitos no estado do Rio de Janeiro, do litoral à serra, para dar aquela relaxada e incluir um pouco de aventura na sua vida.

#1 Martim de Sá (Paraty)

Difícil é encontrar uma palavra para caracterizar este tesouro escondido na Costa Verde. Martim de Sá é uma praia deserta, cercada pela Mata Atlântica, com areia branca e uma água tão azul que você se perde no horizonte. E para melhorar, possui apenas uma única família, do famoso Sr. Maneco, que nos oferta um rústico e charmoso camping, sem energia elétrica, o que torna esse cantinho ainda mais especial. Para completar o pacote, dependendo da época do ano, é possível encontrar altas ondas.

DSC_1271-1

#2 Aventureiro (Ilha Grande – Angra dos Reis)

Um dos principais cartões postais da Ilha Grande, Aventureiro, com seu famoso coqueiro deitado, é aquele lugar para sentar na areia e ouvir o som das ondas, tomar banho de mar [ou surfar] até o sol se pôr, e à noite curtir um lual improvisado, iluminado pela tênue luz de uma fogueira.

DSC_7079-1

#3 Praia do Sono (Paraty)

Cercada por uma cadeia de montanhas de um verde exuberante, a Praia do Sono, como o próprio nome diz, é ótima para descansar e oxigenar a mente. Mas além de relaxar na praia na sombra de uma árvore, não faltam opções para quem quiser ficar com o corpo em movimento, no mar você pode remar, surfar e mergulhar, em terra há trilhas de poucos minutos que levam a cachoeiras e outras praias igualmente lindas, e à noite, para quem ainda tiver energia, a pedida e curtir um som em um dos vários barzinhos.

DSC_6207-1

#4 Palmas (Ilha Grande / Angra dos Reis)

Uma boa opção para quem fugir no agito da Vila do Abraão, Palmas, com suas águas calmas e a sombra dos coqueiros, é um cantinho para você passar o dia mergulhando em águas calmas ou mesmo curtindo sombra e água fresca [ou uma cervejinha bem gelada]. Além disso bem próximo a ela, se encontra a praia de Lopes Mendes, eleita uma das praias mais bonitas do Brasil, e um paraíso para os amantes do surf.

Palmas 3-1.jpgCabanas Paraíso

#5 Saco do Mamanguá (Paraty)

O saco do Mamanguá é o único fiorde da costa brasileira, um braço de mar de coloração esverdeada, com 8 Km de extensão e 5 Km de largura, que avança entre as montanhas verdes da Reserva Ecológica da Juatinga e termina no mais bem preservado manguezal da Baía da Ilha Grande. Este paraíso, que já foi cenário de locações de Hollywood, tem praias que parecem de mentira. A praia do Cruzeiro é a mais famosa da região e nela você vai encontrar um cantinho para acampar.

Saco do Mamanguá-1.jpgDo mato ao mar

Subindo a Serra…

#6 Maromba (Visconde de Mauá)

Bem próximo à charmosa cidade de Maringá – MG, que possui boa infraestrutura turística, está Maromba, um lugarejo bem pequeno onde você encontra desde campings até pousadas com muito mais conforto e sofisticação. Seja qual for a escolha, em Maromba você vai curtir um clima da montanha e tomar banho em cachoeiras lindas. São muitas opções, as minhas favoritas são o Poção do 7 metros (foto), bom para quem gosta de se aventurar das alturas, Cachoeira do Escorrega e Poço do Marimbondo [que é um pouco mais longe, mas é encantador].

Couple in 7 meters-2

#7 Sana (Macaé)

O Sana, ou Arraial do Sana, está num vale cercado de montanhas de mais de mil metros de altura, com várias trilhas, como a do Peito do Pombo, e cachoeiras, como a do Pai, da Mãe e do Filho e a das Andorinhas (foto) que são de tirar o fôlego. À noite a curtição é garantida em um dos vários barzinhos que tocam em sua maioria forró e reggae.

DSC_8557-1

#8 Aldeia Velha (Silva Jardim)

Localizada bem no pé da serra, a vila de Aldeia Velha é um lugar pacato, onde você consegue andar tudo a pé tranquilamente. Devido à sua proximidade da capital (130 km) é uma ótima opção para passar um fim de semana em contato com a natureza, fazendo trilhas, se jogando em cachoeiras incríveis ou mesmo curtindo um passeio a cavalo. Ah! Uma curiosidade: nesta região se encontra o território de proteção dos ameaçados mico-leões-dourados, vai que você dá sorte de ver um.

Aldeia Velha-1

#9 Lumiar (Nova Friburgo)

Manhãs temperadas, tardes quentes e noites frescas esse é o famoso verão na serra e é um dos principais motivos que faz vários turistas procurarem Lumiar nesta época. As principais atrações são as cachoeiras de Indiana Jones e São José (foto), além de vários poços incríveis.

DSC_5696-2.jpg

#10 Sossego do Imbé (Santa Maria Madalena)

Sossego do Imbé é um lugar com aquele charme do interior, boizinhos pastando à beira da estrada de chão, um centrinho que se resume a alguns metros de calçamento de paralelepípedo, e crianças brincando nas ruas. Aos pés da imponente Serra do Desengano, maior remanescente de mata atlântica do Norte Fluminense, lá se concentram belíssimas cachoeiras, dentre elas, se destacam as do Roncador, do Escorrega e essa aí (foto), que leva o nome de Poço Feio [imagine só os bonitos].

DSC_3280