Paraguai adentro: visitando as missões jesuíticas

Mais um passeio incrível e que pouca gente conhece.

Além de ser um destino ainda pouco explorado pelos turistas, as missões jesuíticas do Paraguai são uma aula de história a céu aberto.

Como bem sabemos, o processo de colonização é também um processo de dominação cultural. Aqui nas Américas isso aconteceu de forma bem clara, e as Missões (ou reduções) Jesuíticas contam um importante capítulo desta história.

Com o objetivo de “educar” e “evangelizar” os índios, entre os séculos de XVII e XVIII foram criados aldeamentos organizados e administrados por padres jesuítas. Eram autênticas cidades instaladas na selva. Além da igreja, que era o centro de tudo, havia também escolas, cemitério, casas, oficinas e até pequenas indústrias.

É claro que essa convivência não foi um mundo de mil maravilhas, principalmente para os índios, que ao longo dos anos morreram aos milhares [por conflitos e, principalmente, por doenças do homem branco]. Então, em um dado momento [não por pena dos índios, é claro] Portugal e Espanha resolveram expulsar os padres, o que levou ao abandono e dilapidação das cidadelas.

Hoje, uma parte significativa destas ruínas fica desta no leste do Paraguai, sendo que duas delas tombadas pela Unesco como Patrimônio Universal da Humanidade: Santíssima Trinidad e Jesus de Tavarangue, e foram estas duas que resolvemos conhecer.

Saindo do centro de Ciudad del Este [um pouco depois de passar por toda aquela muvuca da região de compras próximo à Ponte da Amizade], pegamos um ônibus daqueles típicos de cidades subdesenvolvidas da América Latina, colorido, cheio de penduricalhos no para-brisa e no painel, e com aqueles assentos de veludo, que até são bem confortáveis, mas nada higiênicos. Após 250 km nesta agradável viagem pela zona rural Paraguai, descemos no meio da estrada e fomos visitar nossa primeira missão do dia.

Santísima Trinidad del Parana

Fundada em 1706, esta missão, conhecida também como Nuestra Señora de la Encarnación de Itapua, é considerada a missão jesuítica com melhor estado de conservação.

Ao deixar a recepção/bilheteria já é possível ter uma boa visão das ruínas desta redução. Com área relativamente grande, seu espaço físico está bem delimitado, sendo fácil visualizar [imaginar] como era a dinâmica social e produtiva na época de pleno funcionamento. Podemos ver bem as ruínas [relativamente bem preservadas] das habitações dos índios e dos padres, a torre, a plaza mayor, o cemitério, e é claro, a imponente igreja. Há ainda placas que indicam a utilização da época de determinados espaços abertos, como a horta.

Saindo de lá, pegamos um tuctuc, aqueles que a gente vê na Índia, e seguimos para a próxima redução (a uns 12 km dali).

TucTuc.jpg

Jesús de Tavarangué

Se comparadas às anteriores, as ruínas de Jesús de Tavarangué são bem menores. Esta foi uma das últimas reduções a ser construída, porém algum tempo depois da expulsão dos jesuítas a construção foi abandonada e nunca ficou pronta. Jesús de Tavarangue escapou ilesa aos saqueadores, pois não possuía ouro ou imagens valiosas no altar.

Sua igreja chama bastante atenção pelo projeto arquitetônico, com 70m de comprimento por 24m de largura (uma das maiores da época), suas ruínas foram restauradas há pouco tempo.

Além da igreja, esta missão tem uma plaza mayor, um colégio, casas de proteção para órfãos e viúvas, a base das casas dos índios (que também não chegaram a ser concluídas), horta para cultivo de alimentos e o cemitério, local sagrado para os indígenas.

Uma ótima dica é fazer este tour à noite, pois eventualmente tem uma apresentação com luzes e sons nas ruínas.

Publicado por

Dani Lima

Estudante de doutorado e apaixonada pela natureza, para ela não existe tempo ruim. Quando o assunto é viajar, "qualquer dia é dia"! Depois de seu primeiro mochilão pela Bolívia e Peru não parou mais... Fez várias viagens, aventuras e perrengues, sempre ao lado de seu fiel escudeiro Samuel.

2 comentários em “Paraguai adentro: visitando as missões jesuíticas”

  1. Interessante o relato, mas vc poderia deixá-lo mais completo e útil com informações como período da visita e custos de bilheteria/passeio, etc. Como vc não mencionou no relato, acredito que não saiba que também há ruínas Jesuíticas no Brasil, especificamente no RS. Acredito que foram 7 no lado oriental do rio Uruguai, sendo que três locais são áreas de preservação. Destes 3, um é bem organizado e de fácil acesso, com um custo de R$5,00 de entrada. Os outros dois ficam um pouco escondidos e com pouca informação, sempre a alguns km saindo de uma rodovia asfaltada. Dos outros 4 redutos, em 2 surgiram cidades e somente sobrou as igrejas (ou parte delas), o resto se perdeu…mas vale a visita dos locais que mencionei acima. Abraços.

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