Cedeberg: pegando carona em um deserto africano

Dentre as fantásticas experiências que você pode ter na África do Sul, sem sombra de dúvidas, uma delas tem que ser visitar um deserto.

Nossa escolha foi o Cedeberg Wilderness Area, que fica há pouco mais de 200 km ao norte de Cape Town.

Para chegar lá, a princípio, era tudo muito simples. Bastava pegar um ônibus da Intercape na rodoviária de Cape Town com destino à Namíbia e descer no meio da viagem, na parada de Clanwilliam, uma pequena cidadezinha que serve de base para os aventureiros que querem explorar esta região. Então foi o que fizemos, embarcamos no fim da tarde, no ônibus que passa a noite viajando e chega à Namíbia no dia seguinte.

Só que esqueceram de nos contar um pequeno detalhe. O ponto de parada do ônibus em Clanwilliam, não era bem na cidade de Clanwilliam, e sim em um posto de gasolina, que fica a cerca de uns 5 km da cidade propriamente dita.

Então lá estávamos nós, na escuridão da noite, em um posto de gasolina [que já estava fechado], sem nada nem ninguém a nossa volta. E aí começa a aventura…

Para nossa sorte, junto conosco desceu do ônibus um casal de velhinhos viajantes que, pareciam ser mais precavidos que nós, e já tinham um senhor esperando por eles num carro. Em questão de segundos percebemos que esta seria nossa única oportunidade da noite para sairmos daquela situação [no mínimo desconfortável] e de conseguirmos chegar à civilização. Então imediatamente saímos correndo em direção ao carro e imploramos por uma carona, que nos foi dada, creio eu que mais por pena do que por boa vontade.

Na primeira oportunidade o motorista dos velhinhos se livrou de nós, nos deixando no único bar/restaurante da cidade que ainda estava aberto. Agora pelo menos estávamos a salvo, então resolvemos sentar e comer alguma coisa. E aí mais uma vez o destino nos deu a chance de mudar o rumo da história.

O cara da mesa ao lado percebeu que falávamos português e logo deu um jeito de puxar assunto. O Roelf era Sul-Africano, mas como tinha trabalhado por um tempo em Moçambique, sabia algumas poucas palavras em português e disse que tinha o sonho de conhecer o Brasil [e suas mulheres maravilhosas]. Ele nos chamou para sentar na mesa junto com ele e seu amigo, e começou a nos pagar bebidas e falar sem parar. Foi incrível como ele ficou feliz de estar conhecendo brasileiros.

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Depois de algumas doses e muito papo ele se ofereceu para nos levar até a Guest House que tínhamos “reservado”, mas como era tarde da noite, ninguém nos atendeu. Estávamos bem apreensivos pegando carona com dois caras que nunca tínhamos visto antes. Mas fomos com eles até o Clanwilliam Hotel, onde eles estavam hospedados. No dia seguinte quando acordamos, eles já tinham ido embora e pago nossa diária no hotel.

Depois de rodarmos pela cidade e pegarmos algumas informações, descobrimos que não há muita oferta de transporte para conhecer o deserto. A opção mais em conta que encontramos foi esperar a senhora que leva as crianças para escola deixar a molecada em casa.

E lá fomos nós, sozinhos, em uma van escolar, num dia de semana qualquer, conhecer lugares tão lindos que aos invés de descrever, prefiro mostrar as fotos.

No dia seguinte fomos um pouco mais longe. Combinamos com um senhorzinho de ele nos levar nos outros atrativos do Cederberg.

Sabe o que mais me impressiona nessa coisa de viajar? O dia seguinte sempre tem algo de novo e maravilhoso para te revelar.

Passamos por formações rochosas incríveis em Stadsaal Cave.

Curtirmos um banho de rio em Maalgaf Swminpool.

Degustamos vinhos da melhor qualidade produzidos em um cenário pouco tradicional (no meio do deserto) pela Cedeberg Wines.

Caminhamos em meio a paisagens de tirar o fôlego.

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E para completar o dia, que até então não estava nada mal, após subir uma trilha com o sol escaldante e pedras e mais pedras por todos os lados, foi isso que encontramos. Um Oásis cheio de vida, com muito verde, sapinhos cantando e acasalando por todos os lados, passarinhos voando, e mais uma vez, só nós dois e mais ninguém. Momentos como esse ficam gravados na memória para sempre.

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Mas nem tudo são flores… Mais uma vez estávamos sujeitos ao acaso. O senhor que nos tinha conduzido na parte da manhã tinha uma festa à tarde, e disse que depois de fazermos a trilha era para nós tentarmos pegar uma carona, e se de tudo não conseguíssemos, ele voltava lá para nos buscar.

Então seguimos a orientação e fomos para a beira da estrada, e ficamos esperando alguém passar. E como era de se esperar, em um deserto, cruzaram a estrada ratos, esquilos, passarinhos e babuínos, mas carro que é bom… nada.

Já estava ficando tarde, estávamos com fome e frio, ligamos para o coroa e ele disse que só poderia chegar em umas 4 horas.

Foi então que como providencia divina apareceu nossa 3a carona do fim de semana, provavelmente a mais doida da viagem. O motorista era um senhorzinho que se agarrava ao volante e transmitia a impressão de que mal enxergava a estrada a frente e ao lado dele estava o astro da viagem, um cara novo [que parecia estar bem chapado] que, assim como o Roelf, ficou super feliz de estar conhecendo brasileiros. Ele também tinha o sonho de conhecer o país do futebol e das mulheres mais lindas do mundo.

Depois de uma longa viagem ouvindo o cara falar sem parar [entendo um quarto das frases que ele falava rápido e embolado] chegamos ao centro de Clanwilliam. E além de nos dar um forte abraço de despedida e ele fez questão que tirássemos uma foto dele para mostrarmos às nossas amigas brasileiras.   🙂

*          *          *

No dia seguinte, ao pedirmos informação no hotel sobre as formas de retornar a Cape Town, o atendente, numa atitude amistosa [mas meio esquisita], aproveitou para perguntar para um casal que estava fazendo o check-out se eles poderiam nos dar uma carona.

Por incrível que pareça, eles aceitaram e embarcamos na 4ª carona do fim de semana [e essa foi a melhor de todas].

Viajando e batendo papo, eles muito gentilmente nos convidaram para passar na casa dos pais deles para pegar seu filhinho. E como era um domingo ensolarado [numa das mais belas regiões produtoras de vinho do mundo], por que não fazer um churrasco à moda sul-africana?!

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Tivemos uma tarde maravilhosa, com boa conversa e comida, e regada de vinho local!

Mas não acaba por aí… Como o dia estava muito quente, fomos convidados a dar um pulo na casa deles e curtir um fim de tarde na piscina.

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Depois deste fim de semana, nada convencional, cheio de aventuras, pessoas e lugares incríveis, passei a ver esse lance de ser mais aberto às oportunidades da vida [o que incluiu as caronas] com outros olhos… Com pensamento positivo e uma pequena dose de coragem para sair da zona de conforto podemos ir longe!

Samuel Muylaert

Esse cara é pura energia! Engenheiro Ambiental, gasta todo seu tempo livre fazendo peripécias, surfando, saltando (de preferência dando cambalhotas) de lugares o mais alto possível em qualquer pedaço d’água, subindo montanhas, etc. Apaixonado por viagens e fotografia, está trilhando seu caminho rumo ao sonho...

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